RELAÇÃO INSTITUCIONAL E GOVERNAMENTAL

A Câmara ANG BRASIL ANGOLA, através do credenciamento governamental, atua de acordo com seu Estatuto Social, onde os membros dos Conselhos são impedidos de participarem de partidos políticos. Este se faz necessário para que a Câmara participe de forma legítima, assumindo uma posição neutra em suas ações de desenvolvimento dos países coirmãos.

Nossa relação governamental é de caráter técnico e visa a melhoria do dialogo entre os países Brasil e Angola, assim como, com os países parceiros da Câmara na África, Europa, América Latina e demais que vierem a compor nosso corpo de ralações institucionais.

Embora tenhamos abertura nas situações politicas governamentais de ambos os países, ficamos sempre com a visão neutra auxiliando em quesitos técnicos, nas áreas de domínios da Equipe ANG.

Lutamos para o desenvolvimento de ambos os países, com credibilidade, honestidade e legitimidade.


Balança Comercial Brasil Angola

INTRODUÇÂO

O Brasil foi o primeiro país a reconhecer a independência de Angola, em novembro de 1975. Sem perder de vista os profundos laços históricos, culturais e linguísticos que nos unem, procura-se hoje conferir novo significado às relações bilaterais, promovendo sua renovação e progresso em diversas frentes. A parceira estratégica entre Brasil e Angola tem, recentemente, modernizado suas instituições e leis, buscando implementar medidas em prol do desenvolvimento socioeconômico, inclusive no que concerne à melhoria do ambiente de negócios, entre os países. Desde a posse do Presidente João Lourenço, em setembro de 2017, após 38 anos de governo de seu antecessor, Angola vive um período de consolidação democrática e institucional, reforçado pelo engajamento adicional no combate à corrupção, à impunidade e na condução de reformas econômicas. Tal conjuntura favorável acena com oportunidades acrescidas para uma relação redinamizada com o Brasil, assentada sobre os valores da democracia, da transparência, da liberdade, da desburocratização e do incentivo à livre iniciativa.
No que diz respeito às relações comerciais, o Brasil mantém com Angola, 3ª maior economia subsaariana, superávit que chegou a superar a marca de US$ 1 bilhão em 2008. Até 2014, o Brasil exportou mais para Angola do que para a África do Sul, Portugal e Noruega, dentre outros parceiros tradicionais. Desde então, com a crise provocada pela queda dos preços do petróleo e as ações descobertas pela Lava Jato (Brasil), a corrente de comércio retraiu-se. Ainda assim, o Brasil continua a exportar mais para Angola do que para países como Austrália, Israel, Dinamarca, Finlândia e Áustria. Em 2018, o fluxo foi de US$ 669 milhões, com US$ 458,11 milhões de exportações brasileiras e US$ 210,89 milhões em importações de produtos angolanos.


CENARIO GLOBAL

No atual cenário do comércio internacional, o acirramento da competitividade em escala global, faz com que diversas organizações e países se movimentem em busca de vantagens competitivas. Desta forma, a intensa movimentação dos fatores de produção proporciona diversas oportunidades e ameaças aos seus participantes.
Como alternativa de crescimento e sustentabilidade econômica, atualmente, os países travam batalhas, pelo ingresso destes recursos financeiros movimentados mundialmente, a fim de manterem suas balanças comercias com saldo positivo, em níveis que lhes possibilitem o crescimento interno e o atendimento as necessidades de suas populações.
O atual ambiente de globalização e competitividade, de acordo com a lógica do liberalismo econômico, o comércio internacional, através das exportações e importações de bens e serviços, figura como importantes mecanismos de geração de riquezas de um país.

Para Carbaugh (2004): “o comércio internacional beneficia a maioria dos trabalhadores, pois permite comprar os bens de consumo que são mais baratos e permite aos empregadores adquirirem as tecnologias e o equipamento que melhor complementam as aptidões de seus trabalhadores. Além disso, produzir bens para exportação, gera empregos e renda para os trabalhadores locais.”
Após a sua recente abertura econômica, Angola está ciente da necessidade de participar mais ativamente do mercado internacional e vem enfrentando e contornando as diversas barreiras para se tornar um país realmente atuante e chegar à níveis significativos de participação no comércio global.

Portanto, o comércio internacional, por sua própria dinâmica, sujeita seus participantes a um constante aprimoramento de seus conhecimentos, rígido controle de suas operações e a uma vigília constante sobre os acontecimentos nacionais e mundiais, para que se evite problemas que possam resultar, em prejuízo financeiro ou de imagem, cujos efeitos afetam negativamente a performance empresarial de seu player (VAZQUEZ, 1998 pg. 23).

RESENHA DA BALANÇA COMERCIAL BRASIL ANGOLA (2000 a 2018)

Cruzando os dados da OEC (2016) com os dados da FIRJAN (2000 a 2018) e do site do Ministério de Relações Exteriores (2000 a 2018) durante o período de 18 anos pesquisado, entre 2000 e 2018, as exportações de Angola para o Brasil somaram ao todo US$ 8,98 bilhões de dólares, o que representa 1,30% do total das exportações angolanas durante o período. Apesar de, à primeira vista, parecer uma pequena porcentagem, este desempenho coloca o Brasil como oitavo maior destino das exportações de Angola, e, sendo assim, podendo ser considerado com um dos principais parceiros do país no comércio internacional nos dias atuais.

A partir da análise deste período fica evidente que, durante os 18 anos pesquisados (2000-2018), o petróleo cru com US$ 5,37 bilhões de dólares, o que representa 87% do total das exportações, e o petróleo refinado com US$ 736 milhões de dólares, o que representa 12% do total das exportações angolanas no período, são os principais produtos exportados por Angola para o Brasil, sendo responsáveis por 99%, ou seja, quase a totalidade das exportações neste período.

É possível também detectar, que no ano de 2008 os valores máximos das exportações de Angola para o Brasil atingiram US$ 2 bilhões de dólares naquele ano, o seu valor máximo já registrado, durante o período de 18 anos de pesquisa (2000-2018). Assim como, também é possível identificar o mesmo fenômeno de recuo nas operações de comércio internacional no ano seguinte, em 2009, devido à crise econômica que teve início nos EUA e depois se espalhou para as demais economias globalizadas. Portando, neste ano, as exportações de Angola para o Brasil tiveram como resultado US$ 123 milhões de dólares, ou seja, trata-se de um valor dezesseis vezes inferior ao registrado no ano anterior.

No que se refere às importações de Angola vindas do Brasil, o cenário é semelhante ao quadro das importações angolanas em geral com todos os países, isto porque os valores acumulados destas importações, desde 2000 até 2018, são de US$ 14,96 bilhões de dólares, que correspondem a 6,90% do total dos valores importados por Angola neste período de 18 anos pesquisado. Estes valores colocam o Brasil na quinta colocação como parceiro comercial de Angola nas importações, numa melhor posição se comparar com o destino das exportações, em que o Brasil é o oitavo colocado.

Sendo assim, desde 2000 até 2018, ao todo foram importados por Angola do Brasil o valor total de US$ 14,96 bilhões de dólares. Deste montante, podemos destacar os seguintes tipos de produtos como os principais importados de Brasil: em primeiro lugar estão os produtos de origem animal
(carne bovina, aves e suínos) com US$ 3,97 bilhões de dólares, o que representa 20% do total das importações no período; em segundo lugar estão os alimentos (açúcar, malte, tabaco e álcool) com US$ 3,38 bilhões, que representam 19% do total das importações; em terceiro lugar estão as máquinas (grandes máquinas de construção, processamento de pedra, telefonia energia elétrica) com US$ 1,87 bilhão de dólares, que presentam 15% do total das importações; em quarto lugar estão os transportes (tratores, caminhões, trailers, aviões e helicópteros) com US$ 1,71 bilhão, que representam 14% das importações no período; e, por fim em quinto lugar estão os metais (tubos, canos, grades e estruturas de ferro e alumínio) com US$ 1,1 bilhão de dólares, que representam 8,7% das importações no período pesquisado.

Considerando-se todos os períodos somente em dois momentos o saldo da balança comercial entre Angola e Brasil apresentou superávit para Angola. Primeiramente, o ano de 2001 com US$ 12 milhões de dólares de saldo positivo e, posteriormente, no ano de 2008, ano em que o barril de petróleo cru atingiu valores recordes no mercado internacional e isto impulsionou as exportações de Angola, essencialmente dependentes deste tipo de produto atingindo US$ 2 bilhões de dólares exportados, contra US$ 1,97 bilhão de dólares importados, registrando assim, neste mesmo ano, saldo positivo de US$ 30 milhões de dólares.

Nos demais anos, Angola importou mais do Brasil do que Exportou para o Brasil, portanto, o saldo da balança comercial entre os dois países apresentou déficit nos outros anos pesquisados. Consequentemente, ao final do período pesquisado o saldo total acumulado foi negativo de US$ 6,45 bilhões de dólares, deixando claro que, no caso das relações comerciais internacionais entre estes dois países, apesar do saldo anual estar numa tendência de redução, Angola importou mais do Brasil entre os anos 2000 e 2018.

Referência de cinco anos (2014 a 2019):

Através dos dados encontrados dos ultimo cinco anos a Balança Comercial Brasil Angola manteve-se a média estagnada no valor de 668 milhões de exportação do Brasil para Angola, onde o país manteve-se em superávit. De outro lado Angola mantem déficit, sua exportação foi de em média 30 milhões, exportando para o Brasil seu Petróleo bruto e na dependência de importação de produtos em maioria originários dos agronegócios brasileiros.


CONCLUSÃO

A pesquisa permitiu identificar que a política comercial de angola oficialmente, a política comercial de Angola possui três objetivos: (1) o desenvolvimento das exportações; (2) a diversificação das exportações; e (3) a substituição de importações nos setores nos quais a produção interna possui vantagens comparativas.
Em concordância com a teoria da “vantagem absoluta” pregada por Adam Smith, que sustenta que cada país deve produzir tudo, para ter vantagem com outros países, exportando mais do que importando, percebe-se que Angola não está em altura para isto acontecer devido à falta de recursos próprios desde a tecnologia (fator conjunturais) mão-de-obra, e instituições (elementos estruturais). No entanto, Angola deverá atentar para a teoria da vantagem comparativa, pois nota-se que tem potencial em outros setores da economia, mas na verdade não tem investimentos para tal acontecimento. De acordo com a teoria das vantagens comparativas de David Ricardo nos mostra que cada país deve se especializar no que de melhor sabe fazer com menor custo, mas isso não justifica absolutamente nada que acontece em Angola aonde é explorada apenas um único setor produtivo (ainda assim com grande soma investimento estrangeiro).
A longa trajetória de cooperação técnica entre Brasil e Angola permite que o Brasil adote, como diferencial de sua política comercial, a combinação entre negócios e soluções de desenvolvimento institucional e social não oferecida pelos Estados Unidos nem pela China. Sendo assim, é possível verificar que o comercio exterior em angola, sobretudo as exportações poderiam ser ampliadas tendo em vista que o país angolano importa basicamente tudo que consome e percebe-se que o Portugal e Brasil demostrou que possui capacidade exportadora para suprir as necessidades daquele país em diversos itens.
Considerando isto, pode-se concluir que Angola deve superar não apenas os efeitos da guerra civil, mas buscar ajuda investimento e tecnologia no âmbito externo. Somente assim será possível a superação da necessidade de importar a grande maioria dos produtos, abrindo empresas fora dos ramos de petróleo e de diamante. Angola permanece altamente dependente das exportações de petróleo bruto e, em menor medida, das de diamantes. O país deve buscar através de Câmara Comercial novos investidores para atuação em diversas áreas que tem potencial:

Agronegócio, industrialização de produtos agrícolas, indústria de bens e consumo, em fim abrindo um mercado para buscar exportar mais e importar de fato aquilo que não tem viés para produzir.




REFERÊNCIAS

CARBAUGH, Robert J. Economia Internacional. 1 ed. São Paulo: Thomson Learning. 2004.

FIGUEIREDO, Antônio Macena de; SOUZA, Soraia Riva Goudinho de. Como elaborar projetos, monografias, dissertações e teses: da redação científica à apresentação do texto final. 4. Ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2011.

FIRJAN. Raio X Angola. Rio de Janeiro, 2018.

GIL, Antônio C. Como Elaborar Projetos de Pesquisa, São Paulo: Atlas, 2010.

LAKATOS, Eva Maria, MARCONI. Técnicas de Pesquisa. 3ed. São Paulo: Atlas 1996.

MINISTERIO DE RELAÇÕES EXTERIORES. Guia de Comércio Exterior e Investimentos. (2000 a 2018).

OEC, The Observatory of Economic Complexity. (Disponível em http://atlas.media.mit.edu/en/).

SMITH, Adam. A riqueza das nações: investigação sobre sua natureza e suas causas. São Paulo: Nova

Cultural, 1985.

VAZQUEZ, José Lopes. Comercio Exterior Brasileiro. Editora Atlas. 3° edição.1998.